Reinheitsgebot - a lei de pureza da cerveja na alemanha.

Por Malteiros      26/06/2018 07:56:37    
    A escola cervejeira alemã é uma das mais cultuadas no mundo, sendo na maioria das vezes a primeira que conhecemos. Para os alemães a cerveja sempre foi levada muito a sério, sendo considerada um produto alimentício, e não uma bebida alcoólica com intuito recreativo. Por isso, provavelmente você já ouviu falar na Lei da Pureza Alemã de 1516, também conhecida como Reinheitsgebot. 
    A lei foi promulgada por Guilherme IV, duque da Baviera, no dia 23 de abril de 1516, determinando que as cervejas só poderiam ser produzidas a partir de água, malte de cevada e lúpulo. Naquela época ainda não se conhecia o processo de fermentação, e por isso a levedura não consta na lei original. Mais tarde, com o estudo da microbiologia iniciado por Louis Pasteur no fim do século XIX, o levedo passou a fazer parte da Lei da Pureza. O decreto também regulava questões mercadológicas, como o preço praticado na venda da cerveja. Quem desrespeitasse o negligenciasse as determinações da província seria punido pelas autoridades, tendo seus barris confiscados.
    Agora, antes de saber o porquê de existir essa lei restringindo a produção de cerveja, Antes da Reinheitsgebot, foi promulgado decreto chamado Justitia Civitantis Augustecis em 1156 pelo imperador Barbarossa, em Augsburg, que regulava a qualidade final da cerveja, mas não o processo de produção. Qualquer taverneiro que servisse cerveja de má qualidade estava sujeito a pagar multa e ter seu estoque confiscado. Posteriormente, em 1447 foi feito o primeiro esboço da Lei da Pureza na cidade de Munique, que substituía o uso do mix de ervas pelo lúpulo, oferecendo segurança na produção e agindo como conservante natural, além de possuir ação calmante e amargor desejável na cerveja. Foi restringido também ao uso de malte de cevada, pois outros cereais usados como trigo, aveia e centeio estavam encarecendo o preço do pão, devido à sua escassez. Até que em 1516 foi promulgada a Reinheitsgebot, que foi adotada em toda a Alemanha com a unificação do estado, em 1906. Esta foi a primeira lei do mundo que regula a produção de um alimento, encontrando-se em vigor até hoje com o intuito de prezar pela qualidade, porém agora se estendendo ao uso de malte de trigo. 
    Uma outra versão da lei vem que diria, de uma possível ressaca de Guilherme IV, que poderia ter tomado uma cerveja com ingredientes diferentes na cerveja, como fuligem e cal, o que, provavelmente, teria causado a ressaca ducal. Uma terceira versão seria para limitar o uso do trigo apenas para a produção de pão – alimento essencial para população local.
    Em 1993, a Reinheitsgebot foi expandida. A partir desse ano, a lei passou a permitir uma variedade maior de lúpulos e maltes, além de estabilizadores, açúcares e corantes, entre outros. No ano de 2005, uma decisão da corte alemã flexibilizou ainda mais as restrições da Lei de Pureza. Agora, os fabricantes podem vender cervejas no país com outros tipos de ingredientes – desde que não se refiram a elas como cervejas em seus rótulos.

Tradução da lei da Pureza:

“ Proclamamos com este decreto, por Autoridade de nossa Província, que no Ducado da Baviera, bem como no país, nas cidades e nos mercados, as seguintes regras se aplicam à venda da cerveja: Do dia de São Miguel (29 de Setembro) ao dia de São Jorge (23 de abril), o preço para um Litro ou um Copo, não pode exceder o valor de Munique do pfennig.
Do dia de São Jorge (23 de Abril) ao dia de São Miguel (29 de setembro), o litro [nota: uma unidade equivalente ao atual litro] não será vendido por mais de dois pfennig do mesmo valor, e o copo não mais de três Heller (Heller geralmente é meio pfennig). Se isto não for cumprido, a punição indicada abaixo será administrada. Se todo cervejeiro tiver outra cerveja, que não a cerveja do verão, não deve vendê-la por mais de um pfennig por Litro. Além disso, nós desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes usados para fabricação da cerveja devem ser lúpulo, malte e água. Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais barris de cerveja, sem falha. Se, entretanto, um comerciante no país, na cidade ou nos mercados comprar dois ou três barris da cerveja (que contém 60 litros) para revendê-los ao vendedor comum, apenas para este será permitido acrescentar mais um Heller por copo, do que o mencionado acima. Além disso, deverá acrescentar um imposto e aumentos subsequentes ao preço da cevada (considerando também que os tempos da colheita diferem, devido à localização das plantações). Nós, o Ducado da Baviera, teremos o direito de fazer apreensões para o bem de todos os interessados.”
— Guilherme IV Duque da Baviera

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